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sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

VOE COMO A ÁGUIA, MANFREDI

2025 mal começou e já sinto náuseas antes de pegar no smartphone. Afinal, ultimamente, ele só tem se comportado como um mensageiro portador de más notícias. Fosse vivo, eu o mataria. Também pudera, foi este maldito aparelho que matou David Lynch, matou em vida Neil Gaiman, deu posse a Donald Trump, mas, como única exceção, salvou seu pescoço ao consagrar Fernanda Torres e Ainda Estou Aqui com suas indicações ao Oscar.

Então, estava tudo bem entre nós, talvez estivéssemos, inclusive, caminhando rumo a um #Sextou satisfatório. De repente, o aparelho desgraçado rompe nosso armistício e traz a notícia do falecimento de Gianfranco Manfredi. Aí não...

***

Falando sério... Nem tenho cultura para comentar superficialmente o tamanho da perda desse roteirista. Para mim, um escritor genial, com um nível de erudição, fluidez e traquejo na mecânica gibizeira à altura dos imortais da 9ª arte. Para o povo italiano, além da expertise nos fumetti, um autor prolífico e multifacetado, compositor, romancista, ensaísta.

Estou triste e, sincronicidade ou não, acredite, ontem à noite estava lendo Mágico Vento nº 74. Quando bateu o sono, fechei o tablet exatamente nessa sequência:

Diana, a filha mais velha de três, escreveu o seguinte: “Artistas como ele nunca nos deixam. [...] Gianfranco sempre viverá através de tudo o que nos deixou e isso alivia nossa dor. Hoje, lembrando-se dele ouvindo uma de suas músicas, lendo uma das milhares de páginas que ele escreveu, ou pensando em um momento passado juntos, certamente o faria feliz."

Eu sei que ainda o farei muito feliz, dado o meu compromisso atual de ler as 57 edições de Mágico Vento que me restam, fora os vários números de Tex, as minisséries Face Oculta, Shanghai Devil e o que mais puder encarar em sua vasta bibliografia Bonelli. Será uma boa vida de leituras.

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Obrigado por tudo, Signore Manfredi.

Mitakuye Oyasin.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

NEGÓCIO NO FIO DO BIGODE

Costuma-se dizer que quando uma história se liberta de seu criador, da segurança do manuscrito, e passa a ser publicada e/ou exibida sob quaisquer suportes, enredo e personagens já não mais pertencem àquele entusiasta de outrora. Tornam-se parte do imaginário coletivo, a despeito do que o Copyright tenha a dizer sobre isso. Drácula de Bram Stoker que o diga, publicado originalmente em 1897, foi tomado de assalto no roteiro de Henrik Galeen para o filme Nosferatu (1922), de Friedrich Murnau.

Quer dizer, sem ter autorização para isso, todos os tropos do clássico de Stoker foram explorados na icônica película do cinema mudo. Ironicamente, é no derivado extraoficial que se acrescenta à trama do Conde vampiro, o plot do interesse amoroso - ou chame-o do que quiser. Ironicamente², já em domínio público há três décadas, em 1992, Francis Ford Coppola fez um combinado, utilizando os elementos característicos de ambos. Ironicamente³, Coppola chamou seu "Frankenstein" de "Drácula de Bram Stoker".

Corta para 2024, nos créditos finais do mais novo remake de Nosferatu, vemos a informação que o filme fora inspirado tanto no controverso script de Galeen quanto no livro de Stoker. Trata-se de um sarrafo muito alto para o diretor Robert Eggers saltar, sobretudo quando se tem ainda muito vívida a marca imagética do que Coppola alcançou, especialmente nos dois primeiros atos. Então, na minha cabeça, enquanto assistia, um duelo interno estava sendo travado: Gary Oldman vs. Bill Skarsgård; Winona Ryder vs. Lily-Rose Depp; Keanu Reeves vs. Nicholas Hoult; Anthony Hopkins vs. Willem Dafoe e Monica Bellucci vs...?!

Enfim, o time de 92 sempre estava vencendo os desafios contra o de 24, inclusive, no nível do roteiro, porém, com uma única exceção: o terceiro e último ato, que trata das três pragas de Nosferatu. Acho que elas conferem tetricidade, uma sensação de desolação, como se as vítimas de Wisborg tivessem acabado de sobreviver a um desastre natural. Uma desesperança ao qual espectador (ou leitor) nenhum havia se deparado até então.

O que quero dizer é que, tenho minhas restrições[1] com o Orlok - humanizado por um bigode? - e a sensação incômoda de que aquela Ellen[2] é uma Regan (de O Exorcista) no filme errado, mas o Nosferatu 2024 tem, sim, arroubos estéticos/góticos merecedores de elogios[3] e, claro, aquele desejo irrefreável de recontar as grandes histórias que permeiam à coletividade. Um desejo que atiçou os ímpetos de Murnau, Coppola e, agora, Eggers também.

E isso eu respeito[4].



[1] Confesso que antipatizei também com Van Franz, o análogo de Van Helsing. Na versão revista, Eggers o transforma numa figura vacilante, que jamais chega a ser determinante para a resolução da praga de Nosferatu. É como se o (ótimo) Willem Dafoe estivesse ali apenas para fazer react como intelectual atestando que ia dar merda. Já o Orlok me divide. Aprecio todo o esmero na caracterização do personagem, tanto do ator quanto da produção, mas em momento algum o achei assustador. Aliás, depois que vi isso... Sem chance!

[2] Dediquei quatro anos da minha vida a Mina Murray de Bram Stoker e, em especial, a subversão apócrifa da mesma por Alan Moore e Kevin O’Neill em A Liga Extraordinária. Então, modéstia à parte, creio que possa me indispor um pouco com essa Ellen amuada de Robert Eggers.

[3] [...] e as quatro indicações que recebeu no Oscar 2025, quais sejam: melhor fotografia, melhor figurino, melhor cabelo & maquiagem e melhor design de produção.

[4] Só não respeito esse ar um pouco pretensioso que esse diretor exala quando dispara coisas como “a ideia de ter que fotografar um carro me deixa doente”.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

O VENENO DE MAX CADY

Por volta dos 36min de Cabo do Medo (Cape Fear, 1991), existe um frame do ex-presidiário Max Cady que sempre via reproduzido em casting calls de fãs, elegendo o ator Robert De Niro como uma caracterização perfeita do anti-herói Wolverine. Se você tocar o play nesse exato momento, não tenho dúvidas que terá náuseas e ficará horrorizado com a mera sugestão de que alguém cogitou que o (honrado) Logan poderia habitar aquela pele.

No enredo, após 14 anos, Max deixou a penitenciária e está decidido a transformar em um inferno a vida de Sam Bowden (Nick Nolte), o defensor público que o representou à época da condenação. É que durante o julgamento, o réu respondia pela acusação de estupro e Sam deliberadamente ignorou uma dica importante que poderia tê-lo inocentado. Porém, não era a percepção do defensor e, como veremos no filme, por mais antiético que parecesse aquilo, no fim, Sam pode ter feito algum bem ali. Por outro lado, enquanto cumpria pena, Max afirma que transcendeu através da dor e do conhecimento, sendo ele próprio vítima de estupros e, outrora analfabeto, encontrou o dom da erudição nos livros (e quadrinhos!); fora a transformação do corpo, levando-o a cultivar músculos e tatuagens com mensagens alusivas à vingança que se dedicaria.

Mais que física, a retribuição de Max é psicológica, a princípio, tornando-se um stalker e depois uma sombra constante no cotidiano da família Bowden. No lado da direção, Martin Scorsese parece evocar a imagética opressiva e sonora do cinema hitchcockiano e, se me permite a indiscrição, com algumas pitadinhas de Sam Raimi na mistura.

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O tema de Bernard Herrmann é o prelúdio magistral desse pesadelo.

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Consultando os vencedores do Oscar de melhor ator, creio que em qualquer ano, De Niro teria levado a estatueta com uma mão nas costas, mas, em 1992, ele tinha pela frente ninguém menos que Anthony Hopkins e seu imbatível Dr. Lecter. Com Cabo do Medo quentinho na cachola, não deixo de imaginar que se o resultado tivesse sido diferente, também não seria nenhuma injustiça. Era apenas uma questão de "escolha o seu veneno".

No caso de Max Cady, um veneno bem forte.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

VIDAS PASSADAS

Desisti de comprar Mágico Vento. Por ter números espaçados da série original, a princípio, me animei com a possibilidade de colecionar as edições capa dura (em cores terríveis). Comprei. Quando passaram a rarear, dei uma chance para as versões em formato italiano. Comprei também. Em algum momento, vi as duas fracassarem “mythicamente”. Eis que surge a Editora 85, reiniciando novamente a roda e, agora, com a ideia de publicar cinco volumes em um. Tenho simpatia e torço pelo êxito dos novos publishers, mas fechei definitivamente essa porta; o que, contudo, não me fez desistir da leitura dos gibis por outros meios.

Dos 131 fascículos da série regular, nesse momento que digito essas linhas, acabei de ler o 66º. E como sempre, um sentimento vem à tona: o fascínio pela minúscula seção de cartas, o maldito bendito Correio de Poe. A despeito da excelência das histórias, nenhuma das três republicações chega perto de empatar a experiência que é ler o gibi com o contraponto dos leitores e causos como o registrado abaixo:

Numa era em que uma parcela expressiva dos novos desenhistas mal consegue entregar suas 22 internas no mercado editorial US, com mais presença virtual que nos quadrinhos onde supostamente deveriam estar, é curioso se deparar com o (bom) motivo dos atrasos do artista sérvio Darko Perovic.

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Curiosamente, quem fica a cargo da arte desse mesmo número é o croata Goran Parlov. Um dos nomes mais marcantes ligados a Mágico Vento e, indubitavelmente, o grande desenhista do Justiceiro no século 21. E ainda que mereça destaque o traço, mais que a estética, merece aplausos o argumento de Gianfranco Manfredi. Dessa vez, depois de um período considerável entregando faroestes históricos, o roteirista volta ao místico que é, na minha opinião, a temática por excelência do título.

Aqui, Ned Ellis se vê as voltas com uma regressão de vidas passadas, onde ele se transfere para o corpo de Ehecatl (ou Vento Sagrado), 800 anos no passado. Na trama, acuado pelos sacerdotes dos Mounds, esse ancestral foge rumo à segurança do Rio Mississipi ao lado da amada Janira o irmão Sethua, indicando que o destino de Mágico Vento sempre estaria atrelado aos ameríndios.

Uma bela história, com ares lovecraftianos e um pano de fundo que é um verdadeiro mistério arqueológico.

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A única coisa que me frustra é não contar com esse recurso do Mágico Vento para acessar memórias perdidas – quiçá, de vidas passadas. Na verdade, como mero mortal, tenho uma memória desgraçada de ruim e percebei que, enquanto lia, algo estava faltando ou me era minimamente familiar. Sim, e era verdade. A premissa dos sacerdotes dos Mounds (ou os Antigos) já havia sido trabalhada anteriormente por Manfredi, especificamente através do relato de Nuvem Vermela a Ned em MV nº54 – por sinal, também com a arte de Parlov.

Preciso escrever mais sobre esse gibi, até para evitar outros futuros transtornos. 

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quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

OS MICRONAUTAS DO BOM DOUTOR

Chega essa época, começa a pipocar as listinhas de melhores do ano. Já fui mais aplicado nesse quesito, de registrar em bloquinhos os meus destaques e até de fazer um esforço sincero em leituras de lançamentos. Eu era mais novo. Hoje, lamentavelmente, sou uma alma velha em um corpo decrépito. Como diria, o Sr. Vonnegut: “Coisas da vida.”

Não, não vou desperdiçar o seu tempo tentando capitular o meu Best Of, mas se me permite uma única exceção, eu gostaria de redigir umas breves linhas sobre o meu livro favorito de 2024. Ou melhor, o meu livro favorito de 1987.

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Primeiro de tudo, todo leitor que se preze está sempre em busca de um projeto exótico para chamar de seu. Assistir à filmografia de Stanley Kubrick, ler na íntegra o Quarteto Fantástico de Stan Lee e Jack Kirby... Tenho um amigo que pretende zerar a bibliografia de Stephen King, provavelmente contando com a crença de que ele é imortal. Por outro lado, creio que se nós, reles mortais, pararmos tudo, nunca mais trabalharmos, nunca mais lermos um quadrinho e desistirmos da vida social, talvez, só talvez consigamos chegar ao fim dessa odisseia terrestre faltando ler uns 20 livros do King. Mas, se o meu amigo acredita que pode fazer isso, eu é que não vou colocar juízo na cabeça dele.

De qualquer forma, de meados de 2021 até agora, fim de 2024, também estou movimentando um projeto pessoal: ler todos os romances de Isaac Asimov ligados diretamente e incidentalmente à chamada História do Futuro. O que seria essa História do Futuro? Trata-se de uma expressão usada para denominar a conexão entre os romances da Fundação, a Série dos Robôs e a trilogia do Império (Correntes do Espaço, Poeira de Estrelas e Pedra no Céu). Somente aqui são quinze títulos. E então, avancei para outros que não fazem parte oficialmente dessa História do Futuro, mas, como Asimov não consegue se conter, ele sempre trabalha conceitos que, para quem está imerso nesse universo, com certeza serão percebidos como conexões. Isso inclui O Homem Bicentenário, Nêmesis e minha leitura mais recente, A Viagem Fantástica 2: Rumo ao Cérebro.

Antes que você pergunte, existe uma explicação rápida para o nome deste livro sugerir uma continuação. Isso ocorre porque, na verdade, o primeiro Viagem Fantástica (Fantastic Voyage) foi um filme de 1966, em que Asimov trabalhou adaptando o roteiro – que não foi escrito por ele – para um livro. Como a novelização chegou às livrarias antes do lançamento nos cinemas, muitos leitores acreditavam que o filme era uma adaptação de um romance do Asimov. E isso o deixava bastante irritado, pois ele acabou revelando mais tarde que não gostava do resultado, embora tenha se esforçado para dar verossimilhança científica ao enredo, o que era uma de suas assinaturas estilísticas[1].

Portanto, Asimov aceitou fazer esse trabalho encomendado, emprestando sua retórica científica, mas depois se ressentiu disso. Em 1987, ele lançou uma continuação que, na verdade, não era uma continuação. Trata-se de uma história original, aproveitando apenas a ideia da miniaturização e a viagem dentro do corpo humano em uma nave com propulsores de microfusão. Essa já é uma grande diferença, pois no filme o veículo era classificado como um submarino.

Realmente, não entendo por que esse livro precisava ser nomeado como se fosse uma sequência, a menos que fosse uma exigência editorial ou uma questão de copyright da Fox, produtora do filme de 1966. Enfim, ainda não falei da história de Asimov. Estamos no século XXI, provavelmente nos últimos anos desse século. Como o ano de publicação foi 1987, naquele mundo real de outrora, Asimov ainda não havia testemunhado a Queda do Muro de Berlim em 1989, tampouco a dissolução da União Soviética em 1991. Assim, em se enredo, a União Soviética ainda existia, embora a Guerra Fria, como a conhecemos, já tivesse ficado para trás. O que ocorria, de fato, era uma corrida pelo progresso tecnológico:

Nesse contexto, um neurofísico americano chamado Albert Morrison passa a ser sondado pelos soviéticos para ajudar a solucionar um problema enfrentado pelo projeto secreto de miniaturização. A descoberta da miniaturização ainda não havia sido publicizada por canais oficiais ou periódicos da comunidade científica internacional. Por outro lado, Morrison vivia no ostracismo, ridicularizado entre seus pares, pois acreditava que, durante seus estudos sobre o cérebro humano, utilizando um software criado por ele mesmo, havia sido capaz de sentir ou ouvir pensamentos de terceiros.

Diferentemente dos americanos, os soviéticos acreditam que as teorias de Morrison podem ser verdadeiras. O problema é que ele nunca conseguiu reproduzir seu experimento, isolando células nervosas, nem seus estudos publicados foram testados com êxito por seus pares. Assim, seria uma oportunidade perfeita para ganhar credibilidade, não fosse Morrison um completo covarde, fora que ele sequer acreditava que os soviéticos já haviam dominado a técnica de miniaturização. Correndo por fora, a Inteligência Americana, sabendo do interesse soviético, deseja que Morrison vá, sim, com eles e reporte tudo o que fez e viu. Porém, nem com o aval dos Estados Unidos ele se dispõe a ir.

Então, Morrison é sequestrado e levado à União Soviética para ajudar no projeto. O problema central está no alto dispêndio de energia na aplicação da miniaturização. Caso não resolvam isso logo, o Partido provavelmente precisará pesar os prós e os contras e fechar o projeto. O principal cientista soviético, Doutor Shapirov, havia encontrado uma solução, mas não chegou a registrá-la antes de entrar em coma. Assim, os cientistas soviéticos pretendem realizar uma viagem ao cérebro de Shapirov para que Morrison use seu software e consiga ler os pensamentos do cientista, recuperando o conhecimento perdido:

A narrativa envolve toda a preparação para a viagem, a apresentação da tripulação e os percalços da missão. A nave, precária e construída a toque de caixa, reflete as limitações soviéticas. Para piorar, já que estão lidando com um moribundo, o pequeno grupo tem um deadline apertadíssimo para cumprir esse objetivo. Aliás, além de Morrison, completa o time de “micronautas”: 1) Sophia, a bióloga que controla os campos eletromagnéticos da nave, para que a mesma fique invisível ao organismo de Shapirov, e não seja atacada por glóbulos brancos; 2) Yuri, o arrogante navegador que através de um mapeamento dos vasos capilares, usa a corrente sanguínea para direcionar a travessia até as células nervosas; 3) Arkady é o piloto, engenheiro – e pinguço! –, responsável pelo projeto da nave e, de certa forma, o alívio cômico por sempre compartilhar ensinamentos e ditados espirituosos do pai; 4) Boranova, a comandante da equipe, controla tanto os campos de miniaturização quanto os ânimos exaltados na minúscula cabine de pilotagem.

E, como é característico em Asimov, há o desenvolvimento de ideias científicas, com conexões que podem sugerir a origem da telepatia no universo da História do Futuro. Que é um dos grandes tropos dele. Se você leu a Segunda Fundação, com a trama do Mulo, seu cérebro chega a estralar quando começa a fazer as conexões; inclusive, porque a telepatia segundo Asimov não é um dom à moda Charles Xavier. No estado de coisas de Fundação, a habilidade parte do princípio comum do controle de emoções, com personagens empatas, capazes de fazer leituras sensoriais do que se passa na cabeça alheia. Em Viagem Fantástica, é possível visualizar os primórdios dessa habilidade, partindo de biotecnologia em humanos aprimorados com potencial para possibilitar as estranhas aplicações em robôs sencientes como R. Giskard Reventlov e R. Daneel Olivaw.  

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Mas Viagem Fantástica é um livro independente. Não é necessário saber de nada disso e, confie em mim, além do sci-fi hardcore, o texto ainda se arrisca como um thriller de espionagem. Se me dissessem que era o John Le Carré, de O Espião que Saiu do Frio, fazendo uma contribuição, eu cairia como um pato. Mas o que te faz fechar os olhos e voar longe é imaginar como deveria ser esse traslado impossível, em nível molecular:

Confesso que depois desse trecho, até toquei o play na intro de Clube da Luta para rever o labirinto de sinapses dentro da cabeça de Edward Norton.

Outro sinal da rabugice que vem grátis com a idade: hoje em dia, não dou a mínima para adaptações. Se tiver lido o livro ou o gibi que inspirou um live-action, meu interesse e empolgação ficam abaixo de zero. Entretanto, adoraria ver um diretor sério brincando com esse romance. E eis que, então, busquei rapidamente no Google se existe algum plano de produzir um filme de Viagem Fantástica e olha ali... 

No chão! Conseguem ver...?! É o meu queixo que se espatifou!

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Infelizmente, é um livro fora de catálogo. No Brasil, foi publicado em 1987 pela Editora Best Seller e, em 1989, pela Nova Cultural. Ainda é possível encontrá-lo na Estante Virtual por valores entre R$ 9 e 36, além de versões digitais em ePub para leitura no Kindle. Com 440 páginas, li em dez dias. Não tenho dúvidas que você as lerá em bem menos tempo.

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[1] Por exemplo: Andy Weir, autor de Perdido em Marte e Devoradores de Estrelas, faz sucesso com essa abordagem de trabalhar discursivamente com ciência real para ativar a suspensão de descrença no leitor. Pode apostar que uma das referências desse autor é o Asimov.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

FRACASSO DE PÚBLICO

De nossa última transmissão para cá, eu voltei com o rabo entre as pernas para o Twitter, Trump[1] venceu a agenda “woke”, trinta e poucos aloprados foram indiciados, provou-se que Putin é um robô e, no lado de cá, preciso admitir que fui fraco e curti Absolute Batman nº 1. Me sinto tão mal com isso que, toda vez que fecho os olhos, vejo um Dennis O’Neil cabeludo me julgando.

Sim, parece que estava de férias do blog, sem redigir nada, mas foi justo o contrário. Recentemente, no lado d’os Escapistas, nós concluímos as gravações da nossa série dedicada ao Starman. No total, para vencermos as oitenta edições, especiais e minisséries, foram necessários oito episódios; separados por meses e até anos para concluirmos tudo. Enquanto dura essa fase de (re)leituras, pesquisa, anotações, redação de pautas e, finalmente, o plugue conjunto de microfones com o elenco, os brutos já produzidos ficam salvos e intocados. Com a minha paranoia, mantenho tudo em HDs externos, DVDs de dados e drives na nuvem.

Consequentemente, a solitária fase de edição e tratamento dos áudios só começa quando me dou por satisfeito nesses atos preparatórios. A “pós-produção” já foi mais light, e agora me demoro demais justo pelos dissabores oficiosos da vida cotidiana. O déjà vu não é por acaso, visto que sempre entro numa espiral doida de mau humor quando uma série, de fato, conclui, tendo publicado todos os episódios. Dessa vez, acrescentei um ingrediente à mistura que piorou minhas crises existenciais.

Guarde esse pensamento.

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Não sou o maior fã de Chip Zdarsky. Em termos de Batman, eu acho que ele tem entregado se não o pior, certamente um dos piores runs que já li do personagem. Dos Novos 52 para cá, não tenho a menor dúvida. É o pior.

Posto isso, nesse meio-tempo que sumi, encarei Domínio Público, uma obra totalmente autoral desse roteirista/desenhista. É outro Zdarsky. Um que te dá a exata noção do mal-estar que atravessa a atual geração de criadores em meio a editoras majors. O temor de, inadvertidamente, criar um “Soldado Invernal” e ter que lidar com as mesmas frustrações que Ed Brubaker.

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Se estavas em Marte em 2021, à época da estreia da minissérie de Sam & Bucky no Disney+, Brubaker fez um desabafo na sua newsletter, a princípio rasgando elogios as pessoas de Anthony Mackie e Sebastian Stan...

“[...] mas, ao mesmo tempo, na maior parte, tudo o que Steve Epting e eu recebemos por criar o Soldado Invernal e seu enredo é um 'obrigado' aqui e ali, e ao longo dos anos isso se tornou cada vez mais difícil de conviver. Vi até altos escalões do lado editorial tentando levar o crédito pelo meu trabalho algumas vezes, o que foi bem irritante (para deixar claro, NÃO estou falando de Tom Breevort, que foi um ótimo editor e muito prestativo). Então, sim, sentimentos mistos, e talvez seja sempre assim (mas espero que não). Trabalho por encomenda é o que é, e sinceramente estou emocionado por ter cocriado algo que se tornou uma parte tão grande da cultura pop - ou mesmo da subcultura pop com toda a ficção slash Bucky-Steve - e aquela temporada no Cap, enquanto fazia quadrinhos de super-heróis, foi um dos momentos mais felizes da minha carreira. Além disso, tenho uma ótima vida como escritor e muito disso é por causa do Cap e o Soldado Invernal trazendo tantos leitores para meus outros trabalhos. Mas também não posso negar que às vezes me sinto um pouco enjoado quando minha caixa de entrada enche de pessoas querendo comentários sobre o programa."

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Voltando para o presente, ou melhor, para Domínio Público, o enredo de Zdarsky vai ao encontro exatamente desse medo contemporâneo de não ser dono do seu trabalho. Na realidade, esse nem é o dilema do desenhista Syd Dallas. É o da esposa e dos filhos, que descobrem que um super-herói criado na juventude do artista, ao contrário do que acredita a multinacional que o explora economicamente, pertence ao seu marido/pai.

Adoraria falar mais sobre, mas para os fins desse texto, o que ficou de verdade comigo foram três páginas. Elas mostram que Syd, mesmo sabendo a verdade, teme o alvoroço jurídico e o entrechoque com os publishers, dos quais sempre nutriu uma relação profissional amistosa. Contudo, o que ele não percebe é que o seu trabalho teve um alto custo na vida pessoal, e quem pagou a conta foram os entes queridos. Então, lutar pela aquela propriedade intelectual é um dever por aqueles que sempre estiveram no andar de cima, aguardando pacientemente [ou não] o término daquelas artes:

Taí... O Zdarsky me pegou nessa. Tanto que não tive como não trazer para minha própria realidade. Quer dizer, quantas vezes me peguei diminuindo o valor do meu trabalho, seja o oficial, que lida com os boletos, seja o que faço n’os Escapistas...?! E eis que, na esteira de Domínio Público, quando faço isso, percebi que não sou o único que está pagando essa conta, são as pessoas que contam comigo.

É sempre o problema de precificar algo tão do nosso cotidiano, que sequer imaginamos que do outro lado, quem está produzindo, encara aquilo como um trabalho e ficaria muito feliz que sua tapinha nas costas lhe rendesse alguns trocados. Inclusive, pensei nisso enquanto lia o e-mail do Érico Assis, tentando motivar os leitores de sua newsletter a pagar por uma assinatura. Acho justíssimo.

Por aqui, queria ver também se conseguia levantar um tutu para arcar com alguma despesa d’os Escapistas, e a forma que arrumei foi utilizar minhas anotações e materiais de pesquisa como encartes dos programas. Na estreia de Starman – nesse momento com dois episódios publicados –, lancei esses encartes como E-Books do Amazon Kindle. Cada um dos oito podcasts acompanhará um encarte do que chamei de Noites Estreladas.

Foi isso que me afastou do Pulse. A edição dos programas e a reescrita[2] dessas anotações. Algo que vem me consumindo... e me frustrando mais do que o habitual. Por que motivo, você me pergunta. Porque nossa audiência é razoável para um podcast de quadrinhos, e pior que isso, um podcast completamente especializado, que foca em séries longas e passa até meses sem que outra se inicie.

Um episódio nosso tem em torno de 600... 800 plays. Um número irrisório para um canal de YouTube, mas para o nosso microcosmo, é até uma audiência razoável. Não raro, Os Escapistas figura nas paradas nacionais do seguimento Hobbies; vale dizer, até em paragens internacionais, ganhando algum destaque entre nossos irmãos lusitanos.

Logo, vejam meu raciocínio: cada um dos Noites Estreladas custa apenas R$ 2,00. Vamos combinar que é um valor simbólico, do qual faço questão de mencionar que funcionaria como um apoio ao programa, já que não temos condições de manter uma campanha de financiamento em Catarse ou congêneres. Para ser franco, foi o único meio que consegui viabilizar para arrecadar algo, tendo em vista que a periodicidade é bem esporádica, quase como se fizéssemos séries/antologias documentais sobre temas específicos. Também não é algo que mudará minha vida financeira, tampouco conto com isso, mas dá um trabalho daqueles.

Nos dois primeiros programas, faço questão de pedir com todas as palavras o apoio do ouvinte que gosta do nosso podcast.

No dia 27 de novembro de 2024, esse é o número (provisório) de vendas dos dois Noites Estreladas juntos:

Essa é a dimensão do meu fracasso de público.

***

O fato é que o negócio é praticamente de graça e ninguém deu bola. O ego dói um pouco... Ok. Dói muito. Se está assim no começo, deve ir até o final sem [quase] ninguém interessado, muito embora, em respeito a esse quinteto de boas almas, irei até o final, publicando todos os oito encartes. Só não garanto que voltarei mais a produzir podcasts. Na minha cabeça, Starman será a última série d’os Escapistas.

Meu momento “Syd Dallas” foi quando me vi no dia do aniversário, editando o podcast e o texto do encarte... E de algum modo, me senti incomodado porque ia sair sem concluir os trabalhos, sendo que, naquele instante, minha família me aguardava para comemorar esse natalício. Foi ali que a ficha começou a cair.

Não vale a pena. A conta não fecha. É hora de fechar. É hora da última escapada.



[1] O que não me diz nada, ou melhor, até diz, mas sigo na toada do Paulo Coelho.

[2] Longe de mim me comparar ao grande Moacyr Scliar, mas me lembrei desse trecho enquanto reescrevia meus garranchos: “[...] A ideia que as pessoas têm é que o escritor é um cara que escreve com tremenda facilidade, que vai botando as palavras. Mas não é assim. O escritor tem essa facilidade, mas, ao mesmo tempo, ele tem um nível de exigência que o comum das pessoas não tem. Vejo pelos e-mails que escrevo. A pessoa escreve uma frase, pode não estar bem escrita, mas tudo bem, porque serve para transmitir o pensamento dela. O escritor não se contenta com isso. Ele quer transformar a palavra num instrumento de criação estética, e isso exige um esforço. Daí a necessidade de reelaborar. Garcia Marques, em O outono do patriarca, reescreveu 16 vezes o primeiro parágrafo. E eu mesmo, na Zero Hora o pessoal me conhece, reescrevo muito. Mando a minha matéria, aí releio e penso: isso aqui eu podia melhorar. Aí melhoro, mando de novo, e digo, vale essa, aí mando uma terceira vez. E eles já estão acostumados. Jornalista, geralmente, não faz isso, escreve e manda. Tem muitos editores que tiram as obras dos escritores: “chega de mexer”, dizem. Na verdade, escrever é reescrever."

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

30 SEGUNDOS

Pelos últimos textos, dá para perceber que ando numa fase meio niilista, com um humor ranheta típico de quem aprecia o inverno de Northampton e agora é verão na cidade. Talvez por isso esteja me voltando tanto para o Noir e/ou historinhas mais urbanas, pessimistas até. Quer dizer, setembro mal chegou a metade e, fazendo um balanço parcial, tudo o que consumi, basicamente, foi nessa toada.

A começar por Fogo contra Fogo (Heat, 1995), de Michael Mann. Uma reprise que, até então, acredite ou não, jamais havia feito. Dá para dizer que, depois de tanto tempo, foi como ver o filme pela 1ª vez, já que lembro vividamente de alugar a fita VHS quando ainda era lançamento; talvez em 96? Enfim, acho que as quase três horas de projeção foram o que chamam de experiência religiosa. E não errei na colocação do substantivo: foi projeção mesmo![1]

***

As linhas gerais do enredo ainda estavam intactas na memória: uma quadrilha altamente especializada, liderada pelo ladrão mestre Neil McCauley (Robert De Niro), é caçada pela unidade de crimes especiais de L.A, sob a supervisão do detetive-tenente Vincent Hanna (Al Pacino). Por outro lado, toda a argamassa entre esses dois, já havia se esfarelado na cachola e tornou a experiência em algo novo. Logo, as relações que os dois antagonistas constroem – e/ou destroem –, quase no nível de um seriado de TV, dada a pressa inexistente para desenvolvê-las, são coisas que ficaram comigo.

" Hanna era assombrado por sonhos, cadáveres em uma mesa comprida olhando para ele. Eles ficaram em silêncio. A aparência deles impunha obrigações, mas McCauley não reconhecia obrigações. Ele tivera sonhos nos quais não conseguia respirar, estava se afogando. Talvez estivesse ficando sem tempo, sugeriu Hanna. Eles eram iguais, porque sabiam que a vida era curta, nós somos pegadas em uma praia esperando a maré subir. E cada um navegava pelo futuro que vinha em sua direção com os olhos bem abertos. Sensíveis, opostos em algumas questões, eles eram iguais na compreensão de como o mundo funcionava, livres de ilusões e autoengano. Ao mesmo tempo, cada um explodiria o outro sem hesitação. Eles também sabiam disso. Mas aquilo poderia nunca acontecer. Eles poderiam nunca mais se ver. "

Da metade para o clímax acachapante, McCauley está decidido a buscar uma vida mundana, tratando o roubo final como seu último trabalho, mas joga tudo para o alto quando cai na provocação de Hanna e deixa-se levar pelo próprio ego. Já Hanna não poderia estar mais longe da normalidade, vendo o trabalho sepultar outro casamento (3º). Ambos são obsessivos natos, tão gigantes que sequer cabem juntos dentro da telona. E não cabem mesmo. Mann jamais enquadra o ladrão e o policial num mesmo plano. Jamais. Isso é incrível.[2]

“ O mantra do criminoso era sair em trinta segundos caso sentisse o fogo inimigo dobrar a esquina. Nate o lembrou disso. Hanna poderia cometer erros, poderia acertar ou errar. Neil não poderia se dar ao luxo de errar uma única vez. ”

Curiosamente, o mantra de McCauley é testado por Hanna, exatamente quando ele se vê com a (futura) ex-esposa no hospital, numa vigília pela enteada que acabara de salvar de uma tentativa de suicídio. O seu bip toca e ela, pelo hábito da vida a dois, sabe que é um chamado e Hanna, fatalmente, não aguentaria e iria atendê-lo. Eu não voltei para cronometrar a passagem, mas gosto de pensar que a cena não dura mais que trinta segundos. Assim, o mantra de McCauley vale não apenas para a iminência de ser preso, mas, sim, de não se apegar a nada que levasse trinta segundos para largar e fugir.

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No fim das contas, foi esse o erro de McCauley, de passar mais que trinta segundos para desapegar. E nem me refiro a Eady (Amy Brenneman), o interesse amoroso que, supostamente, o levaria à vida mundana na Nova Zelândia. A derrocada foi ignorar os instintos e ir, resoluto, para a armadilha que a polícia montou em torno de Waingro (Kevin Gage). Uma ponta solta que ficou atravessada num nível que impele McCauley a se desviar do final feliz, rumo ao avião da fuga, e ir ao hotel matar o ex-colaborador/serial killer/dedo-duro.

E aí... Bem, não sei se acontece com vocês, mas sempre que estou lendo algo, talvez por sincronicidade, algumas coisas passam a tangenciar outras. Ocorreu agorinha enquanto lia Parker: The Outfit, de Richard Stark, mais precisamente quando o protagonista deixa transparecer algo que, em tese, talvez batesse com a mecânica de um Neil McCauleuy mais jovem:

" Foi um sinal ruim quando um homem como Handy começou a possuir coisas e começou a pensar que poderia se dar ao luxo de ter amizades. Posses amarram um homem e amizades o cegam. Parker não possuía nada; os homens que ele conhecia eram apenas isso, os homens que ele conhecia. Eles não eram seus amigos e não possuíam nada... Quando um homem como Handy começou a ansiar por posses e amizades, isso significava que ele estava perdendo a dureza. Foi um mau sinal. "

Essa dureza de Parker parecia estar ali no comecinho de Fogo contra Fogo, de McCauley não carregar bagagem. De McCauley simplesmente ser como uma rocha – ou os metais que estudava para um golpe – ou uma montanha ou uma lei da natureza. Um bom exemplo da "materialização" desse vazio existencial está no(s) apartamento(s). McCauley tem nada menos que uma geladeira e a vista para o mar; Hanna, uma TV de 19" polegadas. São homens experientes que, embora corroídos pelo Nada, seguem em frente... inexoráveis. Por outro lado, olhando em perspectiva, é engraçado pensar em De Niro e Pacino como dois homens velhos, sendo que, à época, o primeiro tinha 52 anos e o segundo, 55; e ambos estavam inteiraços.[3]

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A propósito, os excertos em prosa sobre Fogo contra Fogo pertencem a sequência romanceada pelo mesmo Mann, e ladeado da escritora Meg Gardiner. A história do livro começa poucas horas depois dos acontecimentos do filme e, por incrível que pareça, faz quase dois anos que foi lançado no Brasil. Digo isso porque me enquadro no público-alvo e não lembro de ter visto qualquer divulgação. Como o diretor pretende filmar a continuação, é questão de tempo até que o romance comece a atrair a atenção de Booktubers & derivados. 

De todo modo, se vale de alguma coisa, estou lendo Heat 2, alternando com Parker... Logo, meu Noir interior tá saindo pelo ladrão.

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[1] Comprei um mini projetor e, desde então, tudo virou cinema em casa.

[2] A foto que ilustra e encabeça o post é puro bait. É de bastidores.

[3] Sendo franco, estão melhores que eu, com 42. Porra... Preciso cuidar melhor da carenagem.